Uma mistura de muita emoção com pitadas de nostalgia foi o ingrediente principal da agenda pessoal do deputado Barros Munhoz nesta semana, em razão das comemorações do Jubileu de Ouro da Turma de 1967 da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo). O ciclo de eventos começou na quarta-feira (18), com Sessão Solene em homenagem aos formandos de meio século atrás, promovida pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

Quem conhece somente aquele semblante mais sério de Munhoz, de homem atarefado em um cotidiano mais que atribulado decorrente da intensa atividade parlamentar, teve a oportunidade de se surpreender com uma figura extremamente emocionada entre tantos companheiros do passado e que, sem perder o ímpeto de líder, acabou também por fazer a diferença no evento ao entoar um trecho de poema de Tobias Barreto que se tornou um dos dos hinos acadêmicos das Arcadas – como ficou conhecida a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco: “quando se sente bater, no peito heroica pancada, deixa-se a folha dobrada, enquanto se vai morrer...”.

Munhoz não é a única personalidade política de destaque que se formou em 1967 na Faculdade de Direito da USP. Além dele, que foi ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 1993, outros três ‘filhos’ da mesma turma também se tornaram ministros do Estado Brasileiro: Aloysio Nunes Ferreira (Justiça, de 2001 a 2002, atualmente ministro das Relações Exteriores), Sérgio Amaral (Indústria, Comércio Exterior e Serviços, 2001 a 2002) e Miguel Reale Júnior (Justiça, em 2002). Além do deputado, Miguel Reale Júnior – que é professor da Faculdade de Direito da USP – também esteve na homenagem promovida pela OAB, que reuniu mais de 100 membros da turma de 1967.

Presentes no evento também o presidente da OAB/SP, Marcos da Costa, o ex-presidente do Tribunal de Contas de São Paulo, Eurípedes Salles; o ex-presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e que foi o coordenador da fusão entre Itaú e Unibanco, Gabriel Jorge Ferreira; o ex-vice-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador aposentado José Gaspar Gonzaga Franceschini; o diplomata João Zicardi Navajas; o empresário e professor da Faculdade do Largo São Francisco, José Alexandre Tavares Guerreiro; a também professora da instituição, Odete Medauar; o presidente da OAB de Roraima, Rodolpho Moraes; a conselheira-seccional da OAB/SP e coordenadora da Sessão Solene, Tallulah Kobayashi, e a vereadora de São Paulo, Edir Sales.

Além disso, o evento também recebeu a primeira oradora mulher da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Carolina de Napoli, também formada em 1967 e que hoje atua no gabinete do deputado Barros Munhoz na Assembleia Legislativa de São Paulo). Em um discurso emocionado, ela destacou a importância da instituição. “Amamos as Arcadas, berço de grandes, túmulo de bravos, tão misteriosas quão conhecidas, tão quentes de amizade no frio e suas pedras mais que centenárias. Conhecemos o seu passado de glórias, o seu presente de luta, a sua participação constante, sua influência decisiva nos momento sem que esteve em jogo o futuro da nação. (...) Alguns de nós seguiram os caminhos da diplomacia, outros os da magistratura, alguns preferiram a carreira política, tão árdua quão sedutora, outros ainda transmitiram os conhecimentos recebidos às futuras gerações. A quase totalidade dedicou-se à advocacia pondo em prática, no dia-a-dia inglório e exaustivo, os ensinamentos recebidos. Todos permanecemos na luta”, disse sob aplausos da totalidade dos presentes – e provocando mais lágrimas aos olhos do amigo e companheiro de trabalho Barros Munhoz.

HISTÓRIA

Vale lembrar que na turma de 1967 também havia outros dois itapirenses – Eloy Franco de Oliveira e Benedito de Matheus – além do ex-deputado estadual e ex-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão. Depois de se formar advogado, Munhoz atuou na área até 1975, quando deixou a carreira para disputar sua primeira eleição para prefeito de Itapira, cuja campanha já terminou vitoriosa. Hoje, 50 anos depois, cumprindo seu quinto mandato de deputado estadual e com um extenso currículo político, Munhoz não esconde o orgulho por fazer parte da história das Arcadas do Largo de São Francisco.

Na instituição, seu espírito de liderança já dava as caras: foi diretor do Centro Acadêmico 11 de Agosto. “O evento da OAB foi muito bonito e muito emocionante. O presidente Marcos da Costa, ao se referir a mim, elogiou meu trabalho em defesa dos advogados, enaltecendo o fato de eu não ter permitido a extinção da carteira de previdência dos advogados até que todos os inscritos recebessem seus benefícios. Eu entrei na Faculdade de Direito em 1963 e convivi com muita gente boa, muitas pessoas daquela época se tornaram grandes amigos, muitos trilharam ou ainda trilham excelentes carreiras, e infelizmente vários já se foram, perdi diversos amigos. Foi lá que eu também conheci o José Serra, vivi muitos momentos importantes e emocionantes. Esse evento foi uma chance de rever diversos amigos da época”, frisou o deputado, ainda emocionado, após a Sessão Solene. Além do evento da entidade de classe, Munhoz também marcou presença na Missa de Ação de Graças em homenagem ao Jubileu de Ouro da Turma de 1967, realizada na Igreja de São Francisco, e no jantar de confraternização no Círculo Militar de São Paulo.